A Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAZ) estima que a doença atinja 1,2 milhão de pessoas no país. De acordo com o neurologista, doutor pela Universidade de Basel, na Suíça, membro titular da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e autor do livro "Lembro, Logo Existo", Oscar Bacelar, "o Alzheimer é o tipo de demência mais comum que existe. É uma doença neurodegenerativa, ou seja, a condição do paciente piora gradativamente e acaba por levá-lo à morte. A doença de Alzheimer não tem cura e os tratamentos disponíveis apenas retardam sua evolução".
Existem diversos fatores envolvidos no desenvolvimento do Alzheimer, mas o principal fator de risco é a idade. "A partir dos 65 anos de idade, a prevalência da doença dobra a cada cinco anos. Por exemplo, 1 a 3% das pessoas com 65 anos têm a demência. Aos 85 anos de idade, a prevalência já atinge 40 a 45% dos pacientes. Apesar de conter um fator genético para o desenvolvimento, seu aparecimento não é hereditário. Mesmo quem não tem parentes próximos com a doença pode desenvolvê-la mas, caso haja algum caso na família, as chances aumentam em três vezes. Observamos, também, mais casos de mulheres com a doença do que homens, mas não tenho dados específicos", diz Oscar.
Além dos fatores idade, gênero e genética, existe ainda outro muito importante que pode estimular seu desenvolvimento: o nível educacional. "Os indivíduos analfabetos têm quatro vezes mais Alzheimer que indivíduos letrados. A explicação para isso é que o estudo aumenta a reserva cognitiva da pessoa. O cérebro não é uma caixa preta, que nasce e morre com a mesma quantidade de neurônios. Se estimulado, aumentam as conexões. É um fenômeno chamado neurogênese, o nascimento de novas células, que ocorre principalmente na região da memória, o hipocampo, que é, também, a primeira atingida pelo Alzheimer. O estímulo cognitivo constante é um fator de prevenção para a doença", explica o neurologista.
Outro fator externo para o desenvolvimento do Alzheimer citado por Oscar é a alimentação. "A dieta do Mediterrâneo é rica em peixe, azeite, vinho tinto ou suco de uva, alimentos típicos dos países ao sul da Europa. Foi feito um estudo por cinco anos com 1500 indivíduos idosos, nenhum com Alzheimer. Metade do grupo fez, durante esse período, a dieta do Mediterrâneo e a outra metade continuou comendo como antes. O grupo que fez a dieta converteu 30 a 40% menos a doença de Alzheimer do que o outro. Existem fatores de proteção nessa dieta. Os alimentos possuem propriedades antiinflamatórias e antioxidantes, o vinho possui uma substância que tem caráter de melhora na metabolização da glicose", observa o médico.
Os primeiros sintomas da doença podem ser percebidos pelo próprio paciente. Segundo Oscar, "os sinais de alerta são vários. Déficit de memória para fatos recentes, apatia, isolamento social, diminuição da fluência verbal, dificuldade de realização das tarefas domésticas, desinteresse por atividades habituais. Geralmente, é a perda de memória associada a alguma outra alteração. O problema é que esses sintomas podem ser facilmente confundidos com a depressão e é preciso do acompanhamento de um médico para estudar os sintomas. Depois de diagnosticada a doença, o paciente é tratado com medicamentos e precisa muito do cuidado e apoio dos familiares e de um cuidador", finaliza ele.